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Dia 16 de MAIO…

 

ás 18:00 horas - Inauguração da Exposição de Fotografia na Galeria da Biblioteca da Escola Vasco da Gama.

Comparece 

Torneio de Xadrez

O torneio de xadrez é aberto a todos os alunos, realizando-se no dia 17 de Junho de 2008.

 

Pedro vivia com os pais, com o gato Afonso e com o seu coelho branco, numa linda casa de ardósia. Era um rapazinho “quase” como os outros…, com a diferença de que nunca parava de fazer perguntas. Cem por hora, dez por minuto! Pequenino, ainda antes de saber falar, apontava para uma coisa com ar interrogativo e, se a resposta tardava, punha-se a berrar e ficava muito vermelho. “Porque é que o chocolate é castanho? E porque é que os coelhos não gostam de chocolate? E porque é que o açúcar é doce? E como se faz o açúcar? E porque é que se diz que os Marcianos são verdes se ainda ninguém os viu?” Os pais olhavam para o céu à procura de solução, mas não caía nenhuma resposta.

Quanto mais o Pedro crescia, mais eles coçavam a cabeça, porque, com a idade, as questões tornam-se cada vez mais complicadas. Era, por exemplo: “De onde vêm as doenças? Porque é que os velhos acabam sempre por morrer? E porque é que eu sou eu e não sou o Robin dos Bosques? E onde é que eu estava antes de nascer?” Eram perguntas que exigiam um pouco mais de tempo, e quando os pais estão ocupados a mudar um pneu do carro ou a fazer o jantar, é-lhes difícil responderem. Quando fazia certas perguntas (sobre os bebés, as doenças, a morte, por exemplo) a mãe abanava a cabeça e respondia:

— Hum… É uma pergunta muito delicada, meu filho. Dá-me tempo para pensar — e, sistematicamente, ou por se ter esquecido, ou porque também ela não sabia organizar as frases, a mãe de Pedro ficava calada.

Há uma idade em que, à força de se fazer muitas perguntas e de não se obter resposta, se acaba por desistir. Foi por isso que, no dia em que Pedro encontrou o Coelho Branco morto na gaiola, não fez qualquer pergunta à mãe, com receio de a embaraçar. “Com certeza”, pensava ele, “certas palavras como morte, doença, fazer bebés, são palavrões. “

Então, o rapazinho enterrou o coelho em silêncio e, com ele, a sua pergunta. Refugiou-se no jardim, na tenda que tinha só para si, como fazem com frequência os filhos únicos, e reflectiu na vida, na existência, e tudo aquilo gerou uma pequena nuvem negra que lhe dava voltas dentro da cabeça. Ficou triste e sentiu frio. Não sabia que àquilo se chamava “solidão”. Um dia, a meio da tarde, estava Pedrito refugiado na tenda, quando ouviu uma voz muito meiga. Viu então uma senhora de olhos profundos e escuros que o observava a sorrir. Podia tê-la encontrado no sótão, no meio das coisas velhas, no céu durante um baptismo de ar num helicóptero, durante a pesca, ou num concurso de música.

— Bom dia, Pedro — disse-lhe a senhora. — Sabes quem sou? Sou a Dama das Histórias.

— A Dama das Histórias?!

— Venho visitar os meninos como tu, que têm uma nuvem negra no coração. Para lhes dizer que nos livros há histórias que podem dar-lhes respostas.

— Respostas a todas as MINHAS perguntas? — perguntou Pedrito arregalando os olhos.

A Dama das Histórias hesitou:

— Não vais encontrar forçosamente TODAS as respostas, mas sim TODAS as tuas perguntas. Verás, ao leres, que outros fazem as mesmas perguntas que tu. É por isso que os livros são feitos para os meninos curiosos, para aqueles que têm milhares de perguntas e que, além disso, querem viver várias vidas ao mesmo tempo. Podes ser, ao mesmo tempo, Robin dos Bosques ou Peter Pan, sem precisares de qualquer requisito especial! E o mais maravilhoso é que, nos livros, aprendes a viver, a respirar, a experimentar coisas, a brincar… A fazer muitas coisas que não conhecias! Apenas com algumas palavras, papel e muita imaginação…

A dama entregou-lhe um livro, que ele agarrou com avidez. À medida que lia, a pequena nuvem negra desaparecia e Pedro sentia-se tão aliviado que teve vontade de cantar. O vento nas árvores murmurava: “Lê, lê… É tão bom ler!” E os pássaros juntavam-se no ninho para o verem saborear o livro.

Quando o folheava, Pedrito teve a impressão que ouvia os murmúrios dos gnomos que, com ele, viravam as páginas. Na realidade, ele já não se encontrava no jardim. Já não estava na cabana. Tanto podia estar num avião, num barco, como num castelo, com o rei Artur.

Era tudo isto ao mesmo tempo. Sentia coisas que antes tinha vivido. O gosto do mar nos lábios, ele que nunca vira o mar, o sabor de um bolo de limão, ele que nunca o tinha provado, o coração que pula no peito quando se está apaixonado, ele que era tão tímido com as raparigas!

Levantou os olhos do livro para perguntar à Dama das Histórias como é que simples páginas, tinta e papel, e talvez também imaginação, podiam produzir aquele efeito.

Mas a Dama das Histórias já tinha desaparecido. Ao longe, ouviu a sua voz doce dizer-lhe (ou talvez fosse o murmúrio do vento nas árvores!):

— Pedro, hei-de voltar. Existem centenas de milhares, milhões de livros!

A nuvem escura das perguntas condensadas tinha desaparecido. No seu lugar, havia uma nuvem transparente, cheia de desejo de ler os milhares e milhões de livros do mundo inteiro.

A partir daquele dia, Pedro nunca mais se sentiu oprimido pelas perguntas. Quando começava a ter frio, a sentir-se só e tristonho, pegava num livro e a magia recomeçava.

 

 

Sophie Carquain

Petites histoires pour devenir grand

Paris, Ed. Albin Michel, 2003

Tradução e adaptação

9 de Maio: Dia da União Europeia

 

Aquele jornalista das perguntas, que já conhecem, foi entrevistar uma galinha, mas uma galinha especial. Propunha-se a cacarejante criatura entrar para o Guinness, o livro dos recordes. E a fazer o quê? A pôr um ovo de ouro? Não, que ideia, que vulgaridade. Essa é uma história muito antiga e já foi contada, há que tempos.

O fito dela era outro. Teimava a galinácea que seria capaz de chocar de uma só vez trinta ovos e de fazer assim nascer, sem tirar nem pôr, trinta pintainhos, trinta irmãozinhos pipilantes, cor de gema de ovo.

— Vai precisar de alguma preparação especial? — perguntou-lhe o jornalista, passando a cabeça por cima da rede do galinheiro.

— Cacracá, cacracá, cacracá — respondeu-lhe a galinha.

Queria ela dizer na linguagem dela que, estando choca, só precisava de muita paciência, porque a natureza faria o resto.

— E tem a certeza que os ovos estão todos em condições de ser chocados? — insistiu o jornalista.

Respondeu a galinha:

— Cacracá, cacracá, cacracá.

Ao que o galo da capoeira, muito senhor de si, acrescentou:

— Cocrocó, cocrocó, cocrocó.

O que ambos queriam dizer percebe-se. Estavam seguros, seguríssimos, da impecável qualidade dos ovos, dispostos para o choco.

Quem os acondicionara no ninho, que a galinha cobria, tinha sido a Dona Gertrudes, dona da galinha, do galo e do galinheiro todo, onde também estanciavam outros bicos, patas e patos, peruas e perus, como se pertencessem à mesma família.

— Em quanto está o último recorde? — quis saber o jornalista. — Consta-me que pertence a uma galinha australiana que deu à luz vinte e nove pintos, num único choco. Confirma?

— Cacracá.

A galinha confirmava. Estava bem informado o jornalista.

Foi para o jornal e escreveu a notícia com o seguinte título: Galinha portuguesa vai derrotar galinha australiana . Era um bocado exagero ou precipitação, mas este jornalista deixava-se levar pelo entusiasmo, que nem sempre é bom conselheiro de quem redige notícias.

Lá que a galinha se esforçava ninguém duvida. Fazia-se leve e alargava as asas o mais que podia, para dar a todos os ovos calor por igual. Quando ela ia depenicar qualquer coisinha, o galo revezava-a no choco, o que não era desprimor nenhum.

Os dias iam passando. No jornal, que era diário, o jornalista ia mantendo viva a atenção dos leitores. Já entrevistara por diversas vezes a Senhora Gertrudes, o marido da Senhora Gertrudes, vizinhos da Senhora Gertrudes e até tentara obter, em primeira mão, um depoimento do peru.

— Glu, glu, glu — dissera-lhe ele, meneando a cabeça com alguma inquietação.

Não era muito optimista o peru, o que se compreende. A aproximação do Natal trazia-o muito apreensivo.

As cascas dos ovos começaram a estalar. O jornalista, avisado, trouxe fotógrafo para o grande acontecimento.

Recorde mundial: Trinta pintos para uma galinha, já via ele, em grossas letras, na primeira página. Portugal derrota Austrália, no jogo da capoeira…, assim começaria a notícia.

Afinal, não começou. Afinal, não derrotou. Ficaram empatados. Eu explico.

Os pintainhos foram nascendo, um a um, a trocar o passo, molhados e tiritantes. Mal se desembaraçavam da casca, fugiam outra vez para o calor da mãe. O pai galo, muito enternecido, ia-os contando:

— Cocrocó… Cocrocó… Cocrocó… Cocrocó…

O jornalista e o fotógrafo e a Senhora Gertrudes e o marido da Senhora Gertrudes e os vizinhos e as vizinhas da Senhora Gertrudes também, em coro afinado, contavam:

— Vinte e seis, vinte e sete, vinte e oito, vinte e nove…

— Só falta um! Só falta um! — gritava, exaltado, o jornalista, que mais parecia um locutor de um relato de futebol.

O residente do último ovo resistia. Ou fosse ele mais preguiçoso ou fosse a casca mais grossa, não havia meio.

Finalmente… craque, craque, craque… partiu-se. E ouviu-se, à roda, um “Oh!” — de desapontamento geral.

Não era um pinto, o que o último ovo escondia. Era um pato, um patinho vacilante, que logo foi esconder-se e juntar-se aos seus irmãos do choco.

— Ai que troquei este ovo. Cabeça a minha! — exclamou a Senhora Gertrudes, dando uma palmada na testa.

E foi assim que esta esforçada galinha não entrou no Guinness, o livro dos recordes. Dizem-me que está a ensaiar-se para nova tentativa! Ela e o galo, como não podia deixar de ser.

 

António Torrado

  • Em 7 de Maio de 1945 terminou a II Guerra Mundial: A Alemanha Nazi assina o termo de rendição incondicional perante os aliados.
  • Em 1889, a Torre Eiffel é oficialmente aberta ao público durante a Exposição Universal em Paris.

     

     

    Mona Lisa

    Como pintar uma “Mona Lisa”.

    Curiosidade: …Leonardo da Vinci começou o retrato de Mona Lisa em 1503, e terminou-o três ou quatro anos mais tarde.

    Artes Plásticas

    Aluno do 8º D em Artes Plásticas.

    Paraíso

    Paraíso é a nova peça de Olga Roriz, no Teatro Camões, dia 29 de Abril às 21:00 horas.


    Catarina Câmara faz parte do elenco…

    Ver entrevista na Revista mn 6